Home  >>  Pauta do dia  >>  Violência contra jovens no Brasil mata mais do que países em guerra

Pauta do dia

Violência contra jovens no Brasil mata mais do que países em guerra

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou na última quarta-feira, 1º de novembro, o relatório A Familiar Face: Violence in the lives of children and adolescents (Um Rosto Familiar: A violência na vida de crianças e adolescentes). O relatório faz uma análise detalhada das mais diversas formas…

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou na última quarta-feira, 1º de novembro, o relatório A Familiar Face: Violence in the lives of children and adolescents (Um Rosto Familiar: A violência na vida de crianças e adolescentes). O relatório faz uma análise detalhada das mais diversas formas de violência que crianças e adolescentes sofrem em todo o mundo: violência disciplinar e doméstica na primeira infância, violência na escola (incluindo bullying), violência sexual, e mortes violentas de crianças e adolescentes.

Os resultados mostram que a cada sete minutos, em algum lugar do mundo, uma criança ou um adolescente, entre 10 e 19 anos, é morto. Apenas em 2015, ocorreram cerca de 51,3 mil homicídios meninos e meninas nessa faixa etária, dos quais 24,5 mil aconteceram na América Latina e Caribe. Isto representa uma taxa de homicídios de crianças e adolescentes de 10 a 19 anos, para a região de 22,1 homicídios para cada grupo de 100 mil adolescentes, uma proporção quatro vezes maior do que a média global. A região mais segura do mundo para um adolescente é a Europa Ocidental com 0,4 morte para cada 100 mil adolescentes.

A Síria tem a maior proporção de homicídios nessa faixa etária, com uma taxa de 327,4 para cada 100 mil pessoas da mesma faixa etária, seguida pelo Iraque (122,6), Venezuela (96,7), Colômbia (70,7), El Salvador (65,5), Honduras (64,9) e Brasil (59). Os dois primeiros países entretanto, enfrentam conflitos armados.

O Unicef utilizou-se dos dados de mortalidade fornecidos por 183 países filiados à Organização Mundial da Saúde (OMS) com populações acima de 90 mil pessoas em 2015. Sobre essa base, acrescentou novos dados e estabeleceu critérios. O estudo exclui casos de suicídio.

Violência no Brasil

Apesar de ser o sétimo país com maior taxa de homicídios de crianças e adolescentes de 10 a 19 anos, em números absolutos o Brasil é o país mais violento, com 11.403 homicídios em 2015.

Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil, explica que “os homicídios muitas vezes são só a última etapa em um ciclo de violência a que crianças e adolescentes estão expostos desde a primeira infância. O relatório nos diz que a maioria dos homicídios contra adolescentes não acontece em países que estão em conflito, como Síria, mas nos países da América Latina e do Caribe, e o Brasil encontra-se entre aqueles com as taxas mais alta de homicídios de adolescentes do mundo”. Florence acrescenta que “precisamos juntar todos os nossos esforços para interromper a violência, começando pelo castigo corporal na primeira infância. A proibição do castigo corporal no Brasil, em 2014, foi um passo importante para isso. Entretanto, para a efetiva implementação desse tipo de legislação, é necessária uma mudança cultural e é preciso ter a consciência de que a violência atinge todas as classes sociais” .

Violência contra crianças pequenas em suas casas

O relatório também apresenta resultados que demonstram que três quartos das crianças de 2 a 4 anos do mundo, cerca de 300 milhões de pessoas, sofrem agressão psicológica e/ou punição física tendo como autores os seus cuidadores. Em todo o mundo, uma em cada quatro crianças menores de 5 anos, cerca de 177 milhões, mora com uma mãe vítima de violência doméstica.

Violência sexual contra meninas e meninos

Em todo o mundo, cerca de 15 milhões de adolescentes meninas, de 15 a 19 anos, foram vítimas de relações sexuais ou outros atos sexuais forçados. Nos 28 países com dados disponíveis, em média 90% disseram que o perpetrador do primeiro incidente era um conhecido, e apenas 1% das adolescentes que sofreram violência sexual disseram que buscaram ajuda profissional.

Mortes violentas de adolescentes

A América Latina e Caribe é a única região onde as taxas de homicídios de adolescentes aumentaram nos últimos anos. Nos Estados Unidos, meninos negros de 10 a 19 anos de idade têm um risco quase 19 vezes maior de ser assassinados do que meninos brancos da mesma idade.

Violência nas escolas

Metade da população de crianças em idade escolar, 732 milhões, moram em países onde o castigo corporal na escola não está totalmente proibido. Três quartos dos tiroteios em escolas documentados nos últimos 25 anos, ocorreram nos Estados Unidos.