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Pauta do dia

Projeto brasileiro chega ao espaço: a importância do incentivo e do investimento dos gestores na educação e na ciência

Pela segunda vez e em mais de uma década, o Brasil voltará a enviar um experimento para ser realizado na Estação Espacial Internacional – ISS. Batizado Garatéa-ISS, o projeto fará parte da 12ª edição do Programa de Experimentos Espaciais para Estudantes (SSEP), ação anual do governo americano em conjunto com…

Pela segunda vez e em mais de uma década, o Brasil voltará a enviar um experimento para ser realizado na Estação Espacial Internacional – ISS. Batizado Garatéa-ISS, o projeto fará parte da 12ª edição do Programa de Experimentos Espaciais para Estudantes (SSEP), ação anual do governo americano em conjunto com a Nasa (agência espacial americana) para engajar a comunidade estudantil em experimentos educacionais realizados no espaço. É a primeira vez que uma comunidade fora da América do Norte teve aprovação no programa.

O experimento brasileiro deve ir à estação espacial em 2018 e contará com a participação de 450 crianças do sétimo ano do Ensino Fundamental dos ensinos público e privado. Desde 2006, quando a Missão Centenário levou à Estação Espacial Internacional o primeiro astronauta brasileiro, Marcos Pontes, estudantes brasileiros não têm uma oportunidade como essa.

Esta iniciativa faz parte da Missão Garatéa, o mesmo consórcio espacial que está planejando a primeira missão lunar brasileira, com lançamento marcado para 2021.

O que é a Missão Garatéa?

Através de projetos fantásticos, a Missão Garatéa pretende colocar o Brasil além da fronteira final, garantindo que interesses públicos e privados se beneficiem da revolução do acesso de baixo custo ao espaço. 3 pilares são considerados bases para o projeto: Ciência, Indústria e Inspiração Educacional. Quer-se fundar um Instituto de Ciência e Tecnologia referência em iniciativas espaciais, garantindo participação brasileira na atividade econômica espacial internacional e promovendo a ciência com o público geral.

Garatéa-ISS

O projeto não tem financiamento público e busca apoio da iniciativa privada para sua realização. A iniciativa será iniciada em 2017, em uma parceria entre a Missão Garatéa e o colégio Dante Alighieri, de São Paulo. A escola ofereceu suas estruturas de salas, laboratório e professores para o planejamento e a realização do experimento. Como contrapartida, seus alunos participarão do projeto, combinados a estudantes oriundos do ensino público.

Além de envolver os alunos num projeto espacial de vanguarda, a iniciativa oferecerá treinamento para professores com cientistas de alto gabarito trabalhando no Brasil e no exterior. “Sem dúvida é uma oportunidade incrível”, diz Amanda Bendia, pesquisadora do Instituto Oceanográfico da USP envolvida com o projeto. “Os alunos terão a experiência não só de passar por todas as etapas que um cientista realiza para o desenvolvimento de sua pesquisa, mas também terão que pensar em experimentos que sejam simples, práticos e viáveis de serem executados na ISS. Será um grande desafio que contará com o apoio de pesquisadores brasileiros especializados em áreas como Astronomia, Biologia, Física e Química, que darão o suporte multidisciplinar necessário para os alunos desenvolverem suas propostas de experimentos.”

Ainda não está definido qual experimento será realizado. Ele será escolhido e projetado entre setembro e dezembro deste ano, para ir ao espaço no primeiro semestre de 2018. A bordo da Estação Espacial Internacional, o experimento será executado por um astronauta americano e, depois de quatro a seis semanas, será trazido de volta à Terra para análise dos resultados.

Os alunos brasileiros responsáveis pelos experimentos ainda participarão de um congresso de apresentação de resultados no museu nacional de ar e espaço “Smithsonian” em Washington D.C., tendo chance de interagir com estudantes americanos que participarão do mesmo programa. O projeto será assessorado por cientistas ligados a NASA, além de pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo e do Laboratório Nacional de Luz Sincrotron.
O objetivo do projeto é ampliar o interesse dos estudantes brasileiros pelas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, essenciais para o desenvolvimento do Brasil. 150 estudantes do ensino público do estado de São Paulo serão escolhidos para participar.

Garatéa-L

Através de um chamado europeu para uma missão lunar compartilhada, a Missão Garatéa enxergou a oportunidade de colocar a ideia da missão lunar em prática e aplicou ao edital em um esforço conjunto de diversas instituições.

Com a aprovação, em apenas quatro anos o Brasil pode se tornar uma nação com capacidade de planejar e operar missões no espaço profundo. Mais especificamente, um nanossatélite que percorra a distância média de 384,4 mil quilômetros que separam a Terra de seu satélite natural. No lançamento europeu, diversos cubesats, dentre eles o brasileiro, serão levados à órbita lunar por uma nave-mãe, que também fornecerá o serviço de comunicação com a Terra e permitirá a coleta de dados por pelo menos seis meses.

A missão Garatéa tem a participação de pesquisadores de diversas instituições científicas nacionais, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS), Universidade de São Paulo (USP), Instituto Mauá de Tecnologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-SP), entre outras. O orçamento da missão é de 35 milhões de reais, e utilizará recursos públicos e privados.

A Garatéa-L tem um forte componente de astrobiologia, o estudo do surgimento e da evolução da vida no Universo. Em seu interior, viajarão até a órbita da Lua diversas colônias de microrganismos vivos e moléculas de interesse biológico, que serão expostas à radiação cósmica por diversos meses. O experimento, coordenado por Douglas Galante, do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas, e Fábio Rodrigues, do Instituto de Química da USP, em São Paulo, tem por objetivo investigar os efeitos do ambiente espacial interplanetário sobre diferentes formas de vida.