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Pauta do dia

Morte de jovens impede que Brasil aumente expectativa de vida

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira, dia 1º de dezembro, a pesquisa Tábua Completa para a Mortalidade do Brasil em 2015, que se utilizou de dados populacionais do Censo Demográfico 2010, estimativas da mortalidade infantil com base no mesmo levantamento censitário e informações sobre notificações…

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira, dia 1º de dezembro, a pesquisa Tábua Completa para a Mortalidade do Brasil em 2015, que se utilizou de dados populacionais do Censo Demográfico 2010, estimativas da mortalidade infantil com base no mesmo levantamento censitário e informações sobre notificações e registros oficiais de óbitos por sexo e idade, para atualizar a expectativa de vida de um brasileiro nascido em 2015, que agora é de 75 anos, cinco meses e 26 dias. Este valor representa um ganho de cerca de três meses em relação a 2014 e de 30 anos na comparação com 1940.

A expectativa de vida ao nascer no entanto, poderia ser maior. Os dados divulgados apontam que as chances de um homem morrer entre 20 a 24 anos se tornaram 4,5 vezes maiores que as de uma mulher na mesma idade. Em 1940, por exemplo, a diferença era de apenas 1,2 vez e, segundo o IBGE, o fenômeno é comum em países que passaram por um rápido processo de urbanização e formação de metrópoles, como o Brasil.

O pesquisador Márcio Minamiguchi, integrante da equipe do IBGE, afirmou que “a maior parte das mortes por violência e em acidentes de trânsito está concentrada entre os homens”, e complementou dizendo que esses fatores agravam uma diferença que já era constatada por outros motivos. “Há desde fatores biológicos e comportamentais até sociais [para a sobremortalidade masculina]. Os homens têm tendência maior ao alcoolismo, tabagismo e consumo maior de calorias e são mais sujeitos a dirigir em alta velocidade”.

De fato as informações divulgadas pelo IBGE vão ao encontro daquelas divulgadas pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2016, de responsabilidade do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que apresenta dados de 2015. Nele, foi divulgado que das 58.467 mortes violentas intencionais ocorridas em 2015 no Brasil, 54% delas ocorreram entre jovens de 15 a 24 anos, o que contribui para a redução do ritmo de crescimento da expectativa de vida do brasileiro.

Distância do Brasil para os países desenvolvidos

A distância entre o Brasil e países desenvolvidos na expectativa de vida tem se reduzido, devido ao maior ritmo de crescimento da esperança de vida ao nascer no Brasil. O país ganha aproximadamente três anos a cada década, e as nações mais ricas têm acréscimos de dois a dois e meio.

Durante o século XX, no entanto, já houve décadas com cinco anos de aumento na expectativa de vida ao nascer no Brasil, velocidade que podia ser obtida com investimentos menores. “O padrão de mortalidade no Brasil mudou bastante. Naquele período, a mortalidade infantil ainda era muito grande e medidas simples facilmente a diminuíam, como mais escolaridade para as mães, medidas básicas de saúde e saneamento e vacinação”, disse Minamiguchi.

Medidas que aumentem a expectativa de vida hoje, são caras, razão para a queda do ritmo no redução da diferença entre Brasil e países desenvolvidos. Ademais, dados como a mortalidade infantil e o acesso à saúde pela população idosa mostram que a diferença se estende ao longo de todas as faixas etárias.