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Pauta do dia

A importância da educação alimentar nas escolas contra a obesidade infantil

De acordo com o levantamento, intitulado “Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe”, relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Pan-americana de Saúde (Opas), divulgado em abril de 2017, o sobrepeso em adultos no Brasil passou de 51,1%…

De acordo com o levantamento, intitulado “Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe”, relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Pan-americana de Saúde (Opas), divulgado em abril de 2017, o sobrepeso em adultos no Brasil passou de 51,1% em 2010, para 54,1% em 2014. Tendência de aumento que também foi registrada na avaliação nacional da obesidade. Em 2010, 17,8% da população era obesa; em 2014, o índice chegou aos 20%, sendo a maior prevalência entre as mulheres, 22,7%. Da mesma forma, também é verificado o aumento do sobrepeso infantil. Estima-se que 7,3% das crianças menores de cinco anos estão acima do peso, sendo as meninas as mais afetadas, com 7,7%.

Outra pesquisa, a Vigitel, divulgada pelo Ministério da Saúde também em abril, corrobora com as informações do relatório da FAO, ao revelar o aumento da obesidade no Brasil de uma taxa prevalência da doença de 11,8%, em 2006, para 18,9%, em 2016. E avança no diagnóstico, ao verificar o aumento da taxa de diabéticos que passou de 5,5%, em 2006, para 8,9%, em 2016; e de hipertensos, que no mesmo período, saiu de 22,5% para 25,7%

Todas estas informações, ruins e que indicam uma tendência de piora nas taxas no Brasil, revelam a necessidade de se tratar a educação alimentar como uma política pública interdisciplinar e prioritária para que a população brasileira possa apresentar melhores indicadores de saúde nos próximos relatórios. A discussão teórica do tema educação alimentar nas escolas e a prática da alimentação saudável na merenda escolar são duas iniciativas muito importantes no combate aos indicadores de obesidade.

Projeto de Lei (PL) inclui o tema educação alimentar no conteúdo de disciplinas de Ciências e Biologia
A Educação Alimentar e Nutricional (EAN) é um campo de conhecimento e de prática contínua e permanente, transdisciplinar, intersetorial e multiprofissional que visa promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis, no contexto da realização do direito humano à alimentação adequada e da garantia da segurança alimentar e nutricional.

Para conter o avanço do risco de obesidade, está tramitando no Senado federal, o Projeto de Lei 128/2007, que inclui o tema “Educação Alimentar” no currículo das escolas de ensino fundamental e médio, nas disciplinas de Ciências e Biologia.

O PL justifica que a formação educacional pode mudar os hábitos alimentares brasileiros, e impedir que os cidadãos desenvolvam doenças graves com o avançar da idade. “O obeso na sua infância e juventude será também um obeso adulto. E essa doença traz sérios riscos para o cidadão e para o Sistema Único de Saúde. Por isso, essa discussão sobre uma alimentação melhor e mais saudável é muito importante para que a infância e juventude já possam aprimorar sua alimentação, para não ser um cidadão obeso no futuro”, afirma o autor do projeto, deputado Lobbe Neto.

O projeto de lei foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados (CCJC) neste mês de julho, e segue agora para apreciação do Senado Federal.

Mudanças na merenda escolar

Outra contribuição que as escolas, tanto dos ensinos infantil, fundamental e médio podem fazer, é disponibilização de uma merenda escolar que privilegie uma alimentação balanceada e com produtos naturais, da região e da época do ano.

Em Santarém, oeste do Pará por exemplo, está em implantação um programa de alimentação escolar que se utilizará de mais produtos da região, que gerará a necessidade de adaptação tanto no cardápio oferecido às escolas públicas, quanto na mão de obra.

A instrutora do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Selma Cavalcante, explica que a maior importância dessa mudança é fazer com que o capital fique dentro do município de Santarém, fortalecendo a economia local, ao mesmo tempo em que há substituição de produtos industrializados por produtos naturais. “Foram introduzidos novos produtos na merenda escolar como a troca da almôndega industrializada pela natural, manipulada pelas educadoras alimentares”, esclareceu.