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Pauta do dia

IDH brasileiro fica estagnado

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgou nesta terça-feira, 21 de março, o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) que indicou que o Brasil se manteve no 79º lugar no ranking que abrange 188 países. O relatório, elaborado em 2016 e que tem como base os dados de…

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgou nesta terça-feira, 21 de março, o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) que indicou que o Brasil se manteve no 79º lugar no ranking que abrange 188 países. O relatório, elaborado em 2016 e que tem como base os dados de 2015, apresenta que o Brasil registrou IDH de 0,754, mesmo índice que havia sido registrado em 2014, e se manteve assim no grupo intermediário de 55 países considerados de alto desenvolvimento humano.

Essa é a primeira interrupção no crescimento do IDH brasileiro desde 2004. A previsão do IDH de 2016, que deverá ser publicado em 2018, a previsão até o momento é que não haja melhora no índice devido à retração econômica.

IDH: conceito e índices brasileiros

De acordo com a ONU, o Índice de Desenvolvimento Humano leva em consideração três fatores: i) saúde (expectativa de vida); ii) conhecimento (média de anos de estudo e os anos esperados de escolaridade); e iii) padrão de vida (renda nacional bruta per capita).

Para formular o IDH, o Pnud informou que utiliza de bases de dados internacionais, como da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Quanto mais próximo de 1 ponto está o país, melhor a colocação na tabela.

No caso do Brasil, a queda no rendimento bruto nacional em 2015 fez com que o IDH estagnasse, apesar da pequena melhora em indicadores como expectativa de vida e escolaridade. O número leva em consideração uma expectativa de vida no país de 74,7 anos, escolaridade esperada de 15,2 anos, média de estudo de 7,8 anos (para população acima de 25 anos) e renda nacional bruta per capita de US$ 14.145, indicador que apresenta queda em relação a 2014, reflexo da crise econômica, cuja renda nacional bruta per capita foi de US$ 14.858.

Em comparação aos demais países, o Brasil se coloca em um grupo de 16 países que mantiveram o mesmo IDH. Outros 159 aumentaram e 13 diminuíram.

A desigualdade na distribuição de renda, saúde e educação entre os brasileiros continua a ter impacto negativo no desempenho do país no ranking. Se esse fator fosse considerado, o Brasil perderia 19 posições no ranking. Assim, se no IDH a nota do Brasil é de 0,754, o indicador cai para 0,561 devido à desigualdade, sobretudo de renda.

Outro destaque no relatório é o índice de desigualdade de gênero, que avalia as diferenças na saúde reprodutiva, empoderamento e atividade econômica. Nesse caso, o indicador passa a ter o valor de 0,414, ocupando a 92a posição entre 159 países. Neste caso, os principais fatores que contribuem para o baixo desempenho são a alta taxa de gravidez na adolescência e o baixo número de mulheres no Parlamento. Além disso, verificou-se que a renda per capita dos homens é 66,2% maior que a renda das mulheres, enquanto que nos demais países analisados essa média é de 24%.

A análise do governo brasileiro diante da divulgação do ranking do IDH

O governo federal soltou uma nota após a divulgação dos dados do Pnud em que afirma que “os dados divulgados pela agência da ONU ilustram a severidade da crise da qual apenas agora o País vai saindo”.
Em tom otimista, apesar do resultado negativo, o Planalto diz estar providenciando medidas para melhorar o panorama nos próximos anos. “O resultado do conjunto de transformações em curso sob a liderança do presidente Michel Temer deve refletir-se, ao longo das próximas edições do índice, em uma melhoria, tanto absoluta, como relativa de nosso número. Medidas como o controle das contas públicas, garantia dos gastos em saúde e educação, garantia do acesso à água por meio da conclusão do Projeto São Francisco, retomada do crescimento e do emprego se combinam para recolocar o País nos trilhos e criar uma realidade que logo será refletida nos indicadores internacionais”, diz o comunicado.