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Pauta do dia

Durante cinco anos seguidos, Brasil é o país mais perigoso para ambientalistas

Relatório divulgado nesta quinta-feira, 13 de julho, pela ONG inglesa Global Witness, mostra que pelo menos 200 ativistas ambientais foram mortos em todo o mundo em 2016, um número recorde. Este é o reflexo de uma onda de violência em que “as empresas mineradoras, madeireiras, hidroelétricas e agrícolas passam por…

Relatório divulgado nesta quinta-feira, 13 de julho, pela ONG inglesa Global Witness, mostra que pelo menos 200 ativistas ambientais foram mortos em todo o mundo em 2016, um número recorde. Este é o reflexo de uma onda de violência em que “as empresas mineradoras, madeireiras, hidroelétricas e agrícolas passam por cima das pessoas e do meio ambiente em sua busca por lucro”, lamenta a organização.

60% das mortes apuradas ocorreram na América Latina, com destaque para Brasil, Colômbia e Honduras. No Brasil, somente em 2016, 49 ativistas ambientais foram mortos. Billy Kyte, diretor da ONG, disse que os números do Brasil não chegam a ser uma surpresa. Segundo ele, “o Brasil é o país mais perigoso do mundo para quem luta pelos diretos ligados à terra e à proteção do meio ambiente. Isso é só a ponta do iceberg. Acreditamos que o número de mortes é maior, mas nem sempre elas chegam ao conhecimento público, ou suas reais causas são relatadas”. Há cinco anos o Brasil assumiu o topo da lista, e desde então nunca mais perdeu a posição.

Causas apontadas

“A luta implacável pela riqueza natural da Amazônia torna o Brasil, mais uma vez, o país mais letal do mundo”, com 49 assassinatos em um ano, alerta o relatório.

Para a Comissão Pastoral da Terra (CPT), os estados de Rondônia, Maranhão e Pará, todos parte da Amazônia Legal, foram os estados mais violentos em 2016. E o avanço da fronteira agrícola está por trás desse cenário. “A causa está na expansão do agronegócio, construção de grandes obras de infraestrutura como barragens e hidrelétricas, ferrovias”, disse Thiago Valentin, da secretaria nacional da CPT. “É um problema histórico: a exploração de quem vem de fora sobre as pessoas que moram na região”, acrescentou.

Chris Moye, membro dessa organização não governamental, tem opinião semelhante à da Comissão Pastoral da Terra. Para ele, o gigante sul-americano é “um caso extremo de concentração de terras em mãos de grandes latifundiários”. A maioria dos assassinatos ocorrem na região amazônica, principalmente nos estados do Pará e do Mato Grosso. “Ali a impunidade prevalece, e a lei das armas está acima do Estado de direito. É uma região enorme, difícil de governar, com uma história de conflitos sociais derivados de uma desigualdade extrema”, disse Moye.