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Pauta do dia

Dia Mundial do Meio Ambiente: Brasil ainda tem índices alarmantes de desmatamento

No momento que a pauta do meio ambiente e do clima está no centro do debate mundial devido a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris na última quinta-feira, 01 de junho, pacto mundial com o objetivo central de fortalecer a resposta global à ameaça da mudança do clima…

No momento que a pauta do meio ambiente e do clima está no centro do debate mundial devido a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris na última quinta-feira, 01 de junho, pacto mundial com o objetivo central de fortalecer a resposta global à ameaça da mudança do clima e de reforçar a capacidade dos países para lidar com os impactos decorrentes dessas mudanças, o Brasil apresenta números nada alinhados com estes objetivos.

Números divulgados pela ONG Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram também na última semana de maio novos dados do Atlas da Mata Atlântica, com dados sobre sua conservação. Os números atuais são referentes ao período de 2015-2016, e o estudo verificou um desmatamento de 290 Km² nos 17 estados que possuem partes do bioma no período, um aumento de 57,7% em relação ao período imediatamente anterior (2014-2015), cujo desmatamento foi de 184 km².

Os estados campeões de desmatamento da Mata Atlântica
A Bahia foi o estado com maior área desmatada no período 2015-2016, com 122,8 km² (alta de 207% em relação ao período anterior, quando foram destruídos 39,9 km². Santa Cruz Cabrália e Belmonte são os municípios brasileiros com maiores áreas de Mata Atlântica desmatadas, com derrubada de 30,5 km² e 21,1 km², respectivamente.

O segundo estado com maior desmatamento é Minas Gerais, com 74 km² desmatados, seguido por Paraná (34,5 km²) e Piauí (31,25 km²).

As metas do Brasil e a realidade
Após a aprovação pelo Congresso Nacional, o Brasil concluiu, em 12 de setembro de 2016, o processo de ratificação do Acordo de Paris. No dia 21 de setembro, o instrumento foi entregue às Nações Unidas. Com isso, as metas brasileiras deixaram de ser pretendidas e tornaram-se compromissos oficiais, a chamada contribuição nacionalmente determinada (CND).

A CND do Brasil compromete a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em um nível 37% abaixo dos níveis de 2005, em 2025, com uma contribuição indicativa subsequente de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% abaixo dos níveis de 2005, em 2030. Para isso, o país se compromete a aumentar a participação de bioenergia sustentável na sua matriz energética para aproximadamente 18% até 2030, restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, bem como alcançar uma participação estimada de 45% de energias renováveis na composição da matriz energética em 2030.

O secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, entretanto alerta que é preciso começar a tirar as promessas do papel, o que o Brasil não está fazendo. “O Brasil tem o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, que passou por um intenso debate no processo de elaboração e lista medidas importantes para adaptar o país ao aumento global de temperaturas. Infelizmente, ele não começou a sair do papel”, diz Rittl.

O plano que lista medidas prioritárias para que o Brasil esteja preparado para os piores efeitos do aquecimento global não teve nenhuma de suas medidas efetivamente implementada.

Para Rittl, o Brasil, na verdade, vive um retrocesso em suas políticas ambientais e climáticas.”É uma tragédia. O desmatamento na Amazônia e na Mata Atlântica disparou”. Os números divulgados na última semana corroboram com este diagnóstico e ligam um sinal de alerta ao Brasil.