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Pauta do dia

Como ficam os jovens diante da crise e da recessão econômica?

Dois anos contínuos de recessão no país deixaram uma marca forte sobre quem está enfrentando a primeira crise econômica. Números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Trimestral, realizada pelo IBGE, mostram que entre 2014 e 2016 a fila de jovens de 18 a 24 anos desempregados cresceu de…

Dois anos contínuos de recessão no país deixaram uma marca forte sobre quem está enfrentando a primeira crise econômica. Números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Trimestral, realizada pelo IBGE, mostram que entre 2014 e 2016 a fila de jovens de 18 a 24 anos desempregados cresceu de 2,3 milhões, para 4 milhões de pessoas. O número representa cerca de 30% de todos os desempregados no país. A taxa de desemprego entre jovens, que já é historicamente mais alta que a do restante da população, fechou 2016 num percentual de 25,9%, mais que o dobro do índice geral, de 12%.

O comércio, que é considerado uma porta de entrada para menos experientes foi um dos setores que mais demitiu nos últimos anos. Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram 204 mil vagas fechadas só em 2016. Outro grande empregador, o setor de serviços, fechou outros 390 mil postos em 2016, o pior saldo entre todos os setores pesquisados.

Para João Saboia, professor do Instituto de Economia da UFRJ e especialista em mercado de trabalho, a crise confirmou essa tendência. “Em condições normais são os que mais sentem. Numa situação em que a empresa tem que dispensar, tende a demitir o menos experiente, assim como na hora da contratação”, avalia o especialista.

O que os jovens estão fazendo?

Dados da mesma pesquisa indicam que quem estava empregado até o fim do ano viu sua renda encolher: o rendimento médio dos trabalhadores com idade entre 18 a 24 anos recuou 8% entre 2014 e 2016, mais que a renda média geral do trabalhador brasileiro, que também caiu embora numa intensidade menor, 3,75% entre 2014 e 2016. Consequentemente, houve queda no consumo das famílias, que segundo o IBGE recuou 4,2% em 2016, a pior queda desde 1996.

Cortar custos tem sido a principal saída do brasileiro diante da recessão. Segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgada pelo jornal O Globo em setembro de 2016, 57% dos entrevistados afirmaram ter cortado algum produto ou serviço por causa da crise. No total, 66% haviam alterado de alguma forma os hábitos de consumo. A mudança de hábitos também atingiu os jovens, que alteraram seus gastos no dia-a-dia e também, alteraram sua percepção do mercado de trabalho diante da crise econômica e de emprego.

Recente pesquisa realizada pela consultoria Deloitte, entre profissionais brasileiros da geração do milênio (nascidos entre 1982 e 1998), com ao menos ensino superior completo e que, em sua maioria, trabalham para empresas de maior porte, indica que os jovens profissionais brasileiros passaram a buscar maior estabilidade em suas carreiras. “Parece que os choques que essa geração viveu recentemente geraram uma busca por mais estabilidade”, afirma Renata Muramoto, sócia da Deloitte Brasil. O desemprego, segundo a pesquisa, é o fator que mais preocupa 40% dos jovens entrevistados.

Expectativas para o futuro

Segundo a pesquisa realizada pela Deloitte, entre os profissionais de 19 a 35 anos empregados no mercado formal, 80% afirmaram esperar uma melhora da situação econômica em 2017. No ano passado, esta era a expectativa de 59%.

João Saboia entretanto, crê que apesar da expectativa de que a economia comece a se recuperar neste ano, a retomada do mercado de trabalho será lenta, e os jovens devem sentir os efeitos da crise por mais tempo. “Vai ser aquilo: o jovem lutando pelo mercado de trabalho em uma recuperação muito lenta e com todas as desvantagens. A única vantagem que eles podem ter é custar pouco. Mas, entre um candidato mais experiente e um menos experiente, a escolha natural será pelo mais experiente. Acho que eles devem sofrer muito nesta lenta recuperação”, avalia o especialista.