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Pauta do dia

Combate a Aids: O que ainda precisa ser feito?

A UNAIDS, Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS que visa promover o progresso global no alcance de metas estabelecidas por países para acesso universal à prevenção, tratamento, cuidados e apoio para HIV e para conter e reverter a propagação do vírus, lançou ontem, 20 de julho, o relatório Acabando…

A UNAIDS, Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS que visa promover o progresso global no alcance de metas estabelecidas por países para acesso universal à prevenção, tratamento, cuidados e apoio para HIV e para conter e reverter a propagação do vírus, lançou ontem, 20 de julho, o relatório Acabando com a AIDS: progresso rumo às metas 90–90–90.

A UNAIDS comemorou que, pela primeira vez desde que o relatório passou a ser feito, mais da metade de todas as pessoas que vivem com HIV no mundo (53%) têm acesso ao tratamento do HIV. Em 2016, 19,5 milhões dos 36,7 milhões de pessoas vivendo com HIV tiveram acesso ao tratamento. Além disso, as mortes relacionadas à AIDS caíram quase pela metade desde 2005, caindo de 1,9 milhão em 2005 para 1 milhão em 2016. Considerando a continuidade desses avanços, os dados colocam o mundo no caminho certo para atingir o objetivo global de 30 milhões de pessoas em tratamento por 2020.

O relatório, Acabando com a AIDS: progresso rumo às metas 90–90–90, fornece uma análise detalhada de avanços e desafios para alcançar as metas de tratamento 90–90–90. Os objetivos foram lançados em 2014 para acelerar o progresso na resposta ao HIV, com o objetivo de, até 2020, 90% de todas as pessoas vivendo com HIV conheçam seu estado sorológico positivo para o vírus, 90% de todas essas pessoas diagnosticadas com HIV tenham acesso ao tratamento antirretroviral, e que 90% de todas as pessoas em tratamento tenham carga viral indetectável.

Os resultados do relatório para o Brasil e a América Latina

O Brasil registrou uma leve alta no número total de pessoas contaminadas pelo vírus, onde o total de infecções subiu de 47 mil casos em 2010 para 48 mil em 2016, uma alta de 3%. O resultado registrado foi na contramão daquele registrado em nível global, que apontou uma queda de 11% no número de casos no mesmo período.

As mortes relacionadas à Aids, no entanto, registraram viés de estabilidade, uma vez a mortalidade se mantém em 14 mil desde 2005. O número de pessoas vivendo com a doença subiu de 490 mil em 2005 para 640 mil em 2010 e para 830 mil em 2016.

Ao analisar a América Latina, o Unaids informou que houve uma queda de 12% no número de casos entre 2000 e 2016. A entidade, entretanto, alerta para situações preocupantes na Bolívia, Paraguai e Uruguai.

O número de portadores de HIV na América Latina totalizou 1,8 milhão e as novas infecções seguem estáveis desde 2010, com quase 100 mil casos por ano. A Unaids revelou também que a quantidade de soropositivos com acesso a tratamentos antirretrovirais quase dobrou em seis anos (58%), passando de cerca de 512 mil pessoas em 2010 para 1 milhão em 2016, o que coloca a região acima da média mundial (53%).

Alerta da UNAIDS

Jovens (15-24 anos) estão ficando para trás em várias frentes: conhecimento sobre o HIV, testagem, tratamento e prevenção do HIV. O relatório revela que menos de 50% dos homens jovens sabem como se proteger da infecção pelo HIV, que os homens são muito menos propensos do que as mulheres a conhecer seu estado sorológico para o vírus ou a iniciar o tratamento antirretroviral e que menos de 50% dos homens que vivem com HIV têm acesso à terapia antirretroviral.

Alerta da Organização Mundial de Saúde (OMS)

A OMS, lançou coincidentemente nesta quarta-feira, um alerta aos países para o aumento da resistência do vírus HIV aos medicamentos contra a doença. A organização adverte que essa crescente ameaça poderia prejudicar o progresso global no tratamento e prevenção da infecção pelo HIV, caso não sejam tomadas medidas precoces e efetivas.

O relatório aponta que em seis dos 11 países pesquisados na África, na Ásia e na América Latina (Guatemala, Nicarágua, Namíbia, Uganda, Zimbábue e Argentina), mais de 10% das pessoas que fazem uso da terapia antirretroviral apresentaram um tipo de HIV resistente aos medicamentos mais utilizados contra o vírus. Ao atingir o limite de 10%, a OMS recomenda que esses países revisem urgentemente seus programas de tratamento do vírus HIV.

Segundo o comunicado, “a resistência aos medicamentos contra o HIV se desenvolve quando as pessoas não aderem ao plano de tratamento prescrito, muitas vezes porque não têm acesso a tratamento e cuidados de qualidade. Os indivíduos com resistência ao medicamento do HIV começarão a falhar na terapia e também podem transmitir vírus resistentes às drogas para outros. O nível de HIV em seu sangue aumentará, a menos que eles mudem para um regime de tratamento diferente, o que poderia ser mais caro, e, em muitos países, ainda mais difícil de obter”.