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Pauta do dia

Brasileiros sofrem com a falta de crédito

Foram divulgados na quarta-feira, 05 de julho, os dados do Indicador de uso do crédito e de propensão ao consumo, obtidos pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Os números mostram que aumentou de 21% para 25% a parcela dos brasileiros…

Foram divulgados na quarta-feira, 05 de julho, os dados do Indicador de uso do crédito e de propensão ao consumo, obtidos pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Os números mostram que aumentou de 21% para 25% a parcela dos brasileiros que tentaram efetuar compras a prazo ou obter algum tipo de financiamento no último mês de maio e não conseguiram. O principal motivo para a negativa, foi estar com o nome na lista de inadimplentes, situação que atingiu 10% desse público. O segundo motivo, cerca de 4%, foi a falta de comprovação de renda.

O levantamento é realizado mensalmente em 12 capitais das cinco regiões brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Goiânia, Manaus e Belém. Participam 800 pessoas de todas as classes sociais, de ambos os sexos, e com idade a partir dos 18 anos.

Os números do crédito no Brasil

Desde o início da crise econômica, que deixou 14 milhões de desempregados e 60 milhões de consumidores nos cadastros de devedores, instituições financeiras e varejistas se tornaram mais criteriosas, com medo de calotes.

Para 46% dos consultados está difícil a obter de crédito. A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, disse, em nota, que “crédito fácil e desburocratizado pode parecer algo positivo para quem precisa de dinheiro imediato, mas por envolver a aplicação de juros elevados pode levar este consumidor a uma situação de inadimplência e de desajuste do orçamento”.

Seis em cada dez consumidores brasileiros (58%) não recorreram a nenhuma modalidade de crédito. Os 42% restantes indicaram ter utilizado pelo menos uma das opções do mercado. As alternativas mais apontadas foram os cartões de crédito (35%) e os cartões de loja e crediário (16%). O cheque especial foi o recurso empregado por 7% dos entrevistados, 5% indicaram os empréstimos e 4%, os financiamentos.

Entre os consumidores que se utilizaram do cartão de crédito, a minoria, 23%, conseguiu diminuir o valor da fatura, enquanto 33% observaram aumento no valor utilizado. O valor médio das faturas foi de R$ 933. 65% dos que usaram os cartões de crédito, o fizeram com compras em supermercados, 52% com remédios e outros produtos de farmácias, 37% com vestuário e acessórios, 35% com combustível, e 28% em bares e restaurantes.

“O crédito só vai destravar quando o risco diminuir. [Bancos e varejo] só vão relaxar quando o consumidor tiver mais dinheiro no bolso”, acrescentou Kawauti. A Serasa aponta que cada pessoa com nome negativado tem, em média, quatro dívidas registradas em birôs de crédito, sobretudo em contas relacionadas ao de consumo, como água e luz.