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Pauta do dia

Benchmarking no setor público: Como os gestores podem aproveitar experiências exitosas de outros estados ou municípios?

A posse dos novos prefeitos eleitos, no início deste ano, trouxe à tona uma discussão muito comum no setor público: como fazer com que a organização pública desenvolva políticas comprovadamente bem-sucedidas a um custo adequado, neste contexto de crise política e econômica? A resposta pode estar numa pequena palavra em…

A posse dos novos prefeitos eleitos, no início deste ano, trouxe à tona uma discussão muito comum no setor público: como fazer com que a organização pública desenvolva políticas comprovadamente bem-sucedidas a um custo adequado, neste contexto de crise política e econômica?

A resposta pode estar numa pequena palavra em inglês que aprofundaremos aqui: benchmarking. Ela significa mirar permanentemente o “estado de arte” na gestão, com a busca pelas melhores práticas do mercado e pelo ganho sempre de maior poder competitivo.

Mas este conceito não está intimamente ligado ao setor público, pelo menos originalmente. Pois bem, o benchmarking inicialmente foi pensado para a administração de empresas, mas alguns fatores mostram que ele é ainda mais viável para aplicação no setor público. Órgãos públicos têm a transparência a seu favor e não têm a competição como obstáculo à troca de experiências. Aprofundaremos nos conceitos a seguir.

O que é benchmarking?

O benchmarking é uma das mais relevantes estratégias para aumentar a eficiência. Em tradução livre, pode ser traduzido como “ponto de referência”. Trata-se um minucioso processo de pesquisa que permite aos gestores comparar produtos, práticas empresariais, serviços ou metodologias usadas pelos rivais, absorvendo algumas características para alçarem um nível de superioridade gerencial ou operacional. É importante ressaltar que não se trata de uma simples imitação, mas da capacidade em enxergar as melhores práticas e adequá-las às peculiaridades da Organização.

A Endeavor Brasil listou quatro tipos de benchmarking, vejamos:

Benchmarking interno: busca pelas melhores práticas adotadas dentro da própria empresa (filiais-modelo, departamentos que desenvolvem metodologias inovadoras, etc);

Benchmarking competitivo: nesse formato, o foco é a análise minuciosa das práticas da concorrência, visando superá-las. É difícil de ser efetuada, tendo em vista que as empresas não costumam “vazar” seus segredos tão facilmente aos rivais;

Benchmarking funcional:
nesse caso, o que é comparado é o processo de trabalho entre as organizações, ainda que a comparação esteja sendo feita com organizações de segmentos diferentes;

Benchmarking de cooperação: duas empresas estabelecem uma parceria, compartilhando informações de seus processos. Também ocorre quando uma empresa “modelo” abre as portas de alguns processos para o aprendizado de outra. Isso pode ocorrer quando duas companhias têm distintos pontos de excelência ou quando uma dela permite o conhecimento de outra por razão de prestígio, notoriedade, etc.

Benchmarking no setor público brasileiro

Uma breve análise do setor público no Brasil mostra que o benchmarking dificilmente chega à etapa mais importante, com a efetiva replicação da experiência. Em geral, passa-se a conhecer e reconhecer os casos de sucesso, e fica só nisto. O esforço de adaptar os casos são menos frequentes.

As semelhanças de desafios e rotinas, porém, justificam e muito o benchmarking na gestão pública. A título de exemplo, podemos citar as dificuldades relacionadas aos processos licitatórios, que são as mesmas na maioria dos órgãos, pois todos estão sujeitos às rígidas determinações da Lei Federal 8.666/1993. Porém, se um órgão consegue realizar um processo licitatório e comprar um equipamento com qualidade semelhante e preço 30% menor do que outro, o que impede este último de entender o contexto e os fatores que levaram à eficiência do primeiro?

Quando se passa algum tempo dentro de diferentes órgãos públicos, é fácil perceber que, na maioria das vezes, pequenas práticas e poucos fatores explicam as diferenças de qualidade e eficiência de determinados processos ou serviços.

Em 2014, o Governo Federal lançou um guia de benchmarking colaborativo através do programa GesPública. O benchmarking colaborativo resulta da fusão entre a metodologia de benchmarking, método gerencial usado por organizações interessadas em comparar o desempenho de seus produtos ou processos com outros similares considerados mais eficazes e/ou eficientes, com o objetivo de entender as práticas que conduzem ao desempenho superior, buscando assim adaptá-las e implementar melhorias significativas internamente, e o processo participativo e colaborativo, característico do setor público, no qual algumas instituições públicas se reúnem e decidem colaborar entre si buscando identificar as melhores práticas de forma mútua com o intuito de melhorar seus processos e práticas internas e assim aumentar a eficiência, eficácia e efetividade dos programas governamentais.

Onde acessar experiências bem- sucedidas?

Organizações como as Associações Estaduais de Municípios e o Conselho Nacional de Secretários de Estado de Administração – CONSAD, que anualmente realiza o Congresso Consad de Gestão Pública e possui um banco de conhecimento com acesso ao irrestrito são boas opções de acesso aos gestores públicos interessados em conhecer boas práticas de gestão em diversas políticas públicas.

O mesmo podemos dizer do próprio Gestão Pública Eficiente, que tem como uma de suas missões promover a cultura de integração entre os gestores compartilhando os conhecimentos e as boas práticas de gestão, conhecidas ou não, que existem no país. Venha pesquisar!