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Pauta do dia

50 milhões de brasileiros vivem na linha de pobreza

Para entendermos o que estamos chamando de “pobreza” é necessário pensar em critérios objetivos e mais do que isso compreender que pobreza e desenvolvimento de um país podem ser consideradas variáveis correlacionáveis. O Banco Mundial, bem como outras instituições, utilizam alguns critérios que ajudam governos e gestores a caracterizar países…

Para entendermos o que estamos chamando de “pobreza” é necessário pensar em critérios objetivos e mais do que isso compreender que pobreza e desenvolvimento de um país podem ser consideradas variáveis correlacionáveis. O Banco Mundial, bem como outras instituições, utilizam alguns critérios que ajudam governos e gestores a caracterizar países como pobres ou de extrema pobreza. No caso do Banco Mundial, o nível de desenvolvimento brasileiro é observado por meio do quantitativo monetário por dia, ou seja, de 5,5 dólares por dia.

O posicionamento do Banco Mundial

De acordo com o Banco Mundial, em sua página oficial, entre 2003 e 2014, o Brasil viveu uma fase de progresso econômico e social em que mais de 29 milhões de pessoas saíram da pobreza e a desigualdade diminuiu expressivamente. Essa redução da desigualdade pode ser observada por meio do chamado coeficiente de Gini que caiu 6,6% no mesmo período, de 58,1 para 51,5. O nível de renda dos 40% mais pobres da população aumentou, em média, 7,1% (em termos reais) entre 2003 e 2014, em comparação ao crescimento de renda de 4,4% observado na população geral. No entanto, desde 2015 o ritmo de redução da pobreza e da desigualdade parece ter estagnado.

Se o Brasil vem passando por uma forte recessão, os brasileiros serão impactados. O contexto atual, de acordo com o Banco Mundial é de que a taxa de crescimento do país vem desacelerando desde o início da década, de uma média de crescimento anual de 4,5% (entre 2006 e 2010) para 2,1% (entre 2011 e 2014). A crise econômica foi resultado da queda dos preços das commodities e da incapacidade de realizarem-se os ajustes políticos necessários e – juntamente com a crise política enfrentada pelo país – contribuiu para minar a confiança dos consumidores e investidores.

O resultado para os brasileiros

Apesar de o Brasil não adotar um parâmetro para definir pobreza, governos e nichos da sociedade civil organizada utilizam padrões de organismos como o Banco Mundial para se comparar com outros países. Abaixo alguns exemplos:
Segundo o recorte de pobreza extrema considerado pelo Bolsa Família, há no país 4,2% da população nesse recorte, vivendo com aproximadamente R$ 85,00 (oitenta e cinco reais) mensais.

Segundo o recorte de pobreza global elaborado pelo Banco Mundial, 6,5% da população vive com 1,90 dólar por dia, ou 6,30 reais, o que é equivalente a R$ 134,00 (cento e trinta e quatro reais mensais) e 12,1% com um quarto de salário mínimo per capita.

Recortes de pobreza mais altos incluem a população com até meio salário mínimo per capita (29,9%) e a linha do Banco Mundial que leva em conta o nível de desenvolvimento brasileiro (e da América Latina) estabelece como parâmetro o valor de de 5,5 dólares por dia.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou dados recentes sobre a população brasileira, e por meio desses dados é possível observar que um quarto da população do Brasil, ou 52,168 milhões de brasileiros, no ano de 2016, encontra-se abaixo da linha de pobreza estabelecida pelo Banco Mundial, ano mais agudo da recessão. De acordo com a Pesquisa – Pnad Contínua – a pobreza e a extrema pobreza possuem maior concentração nas regiões Norte e Nordeste.

É importante ressaltar que pobreza não deve ser pensada somente como ausência de dinheiro. A condição de vida de muitos brasileiros em suas residências também não é considerada boa. Entre os 52 milhões de brasileiros que vivem com menos de 5,50 dólares (18,24 reais) por dia, uma das linhas de pobreza do Banco Mundial, só 40,4% vive em domicílios que possuem serviços como abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede coletora ou pluvial e coleta direta ou indireta de lixo. É importante refletir, frente esses números, que a probabilidade desses brasileiros que não possuem acessos básicos também não possuírem acesso à uma escola, posto de saúde e hospitais de qualidade é enorme.

Para conhecer mais sobre a Pesquisa do IBGE acesse: https://www.ibge.gov.br/